A guerra política do Maranhão definitivamente atravessou as fronteiras do estado e desembarcou em Brasília.
O cerco judicial em torno do grupo do governador Carlos Brandão ganhou proporções gigantescas nos últimos dias e pode atingir em cheio o principal projeto político do Palácio dos Leões: eleger Orleans Brandão governador do Maranhão.
O caso ficou ainda mais pesado depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento, por 180 dias, de Daniel Brandão da presidência do Tribunal de Contas do Estado. Sobrinho do governador, Daniel é investigado pela Polícia Federal em apuração que envolve suspeitas de corrupção, obstrução das investigações e o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022.
E o problema para o Palácio dos Leões é que as investigações não param em Daniel.
Carlos Brandão também aparece nas apurações. Reportagens nacionais revelaram que o governador é investigado sob a suspeita de chefiar uma organização criminosa. Brandão nega qualquer irregularidade e sua defesa contesta a condução do caso pelo STF.
A temperatura subiu tanto que a defesa do governador pediu ao próprio Supremo o afastamento de Flávio Dino da relatoria dos inquéritos, alegando a existência de conflito decorrente do rompimento político entre os dois antigos aliados. Também foi solicitada a suspensão da investigação.
É nesse terremoto que está sentado Orleans Brandão, o “Bebezão”.
Sobrinho de Carlos Brandão e candidato do MDB ao Governo do Maranhão, Orleans construiu sua candidatura diretamente ligado ao grupo político que atualmente controla o Governo do Estado.
Por isso, qualquer medida judicial mais dura contra Carlos Brandão teria potencial para produzir consequências muito além do Palácio dos Leões.
Poderia atingir o coração da campanha de Orleans.
Afinal, a grande força política do “Bebezão” está justamente na gigantesca estrutura política montada ao redor do atual governo, com aliados, prefeitos, deputados e lideranças espalhadas pelos quatro cantos do Maranhão.
Sem o tio no comando do Palácio dos Leões, a pergunta que inevitavelmente surgiria seria: Orleans conseguiria manter de pé toda essa estrutura política?
O cenário eleitoral torna a questão ainda mais importante. Orleans aparece competitivo na corrida pelo governo. Pesquisas recentes mostram uma disputa apertada com Eduardo Braide, embora os levantamentos apresentem resultados diferentes. Em julho, por exemplo, a Real Time Big Data colocou Braide com 44% e Orleans com 31%. Já levantamento do INOP apontou empate técnico entre os dois.
Ou seja: qualquer terremoto político neste momento pode mexer diretamente com uma eleição que está longe de estar resolvida.
E existe uma diferença brutal entre disputar uma eleição com o tio sentado na cadeira de governador e enfrentar uma campanha com o principal líder do grupo politicamente enfraquecido por uma investigação dessa dimensão.
O afastamento de Daniel Brandão do TCE já mostrou que o caso deixou o campo das especulações e passou a produzir consequências concretas.
Carlos Brandão, entretanto, não foi afastado do Governo do Maranhão, e até o momento não existe decisão anunciando que isso ocorrerá nos próximos dias.
Mas o simples avanço das investigações já coloca uma nuvem carregada sobre o projeto eleitoral da família Brandão.
Se a crise chegar ao Palácio dos Leões e atingir diretamente o governador, o “Bebezão” poderá descobrir, em plena campanha, o tamanho da dificuldade de manter funcionando uma engrenagem política construída sob a liderança do tio.
E aí o sonho de continuar comandando o Maranhão pode virar um enorme pesadelo eleitoral.
